Menopausa artificial: salvação ou desgraça? Fatos, mitos e os efeitos colaterais da interrupção do ciclo menstrual.

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Você recebe o diagnóstico e finalmente sabe o que está enfrentando. Então, enquanto discutem o plano de tratamento, o médico pronuncia duas palavras que, aos vinte, trinta ou até quarenta anos, soam completamente absurdas: "menopausa artificial". Uma imagem de um corpo envelhecido, ondas de calor e o fim da feminilidade como você a conhece imediatamente lhe vem à mente. Você sente medo, discórdia e terror. Essas são reações completamente naturais, porque a palavra "menopausa" ainda é um tabu em nossa sociedade e associada à perda de vitalidade. No mundo da endometriose, porém, precisamos desmistificar esse conceito. A menopausa artificial não é um castigo. Em muitos casos, especialmente em formas profundas e agressivas da doença, ela é uma poderosa ferramenta terapêutica, uma espécie de "botão de pausa" que permite interromper a progressão da doença e dar ao corpo a chance de se regenerar. Compreender esse processo é o primeiro passo para superar o medo e começar a lidar com ele de forma inteligente.

O que exatamente é a menopausa artificial e por que ela é induzida?

Para entendermos a finalidade desse procedimento, precisamos lembrar do que ele se alimenta. endometrioseO estrogênio nutre o tecido endometrial espalhado por toda a sua pélvis (e além). A cada ciclo menstrual, seus ovários produzem esses hormônios, que sinalizam ao revestimento do útero para crescer e, em seguida, sangrar. Endometriose Comporta-se exatamente da mesma maneira: cresce e sangra na cavidade abdominal, causando inflamação maciça e formando aderências.

A menopausa artificial (chamada menopausa induzida, em termos médicos) é uma redução drástica e deliberada dos níveis de estrogênio no corpo, com o objetivo de "matar de fome" a doença. Ao interromper a função ovariana, interrompemos o ciclo menstrual. A ausência do ciclo significa a falta de ovulação e menstruação e, consequentemente, a ausência da inflamação mensal. Para muitas pacientes que convivem com dor crônica há anos, esse estado de calma representa a primeira vez em muito tempo em que conseguem funcionar normalmente, trabalhar e simplesmente viver sem analgésicos.

Injeção ou bisturi? Duas faces da solução para o ciclo.

Menopausa artificial Podemos induzir a menopausa de duas maneiras: farmacologicamente ou cirurgicamente. A diferença entre elas é enorme, e a escolha do método depende da sua idade, da gravidade da doença e dos seus planos reprodutivos.

O primeiro e mais comum método é a menopausa farmacológica. Consiste na administração de medicamentos análogos do GnRH (por exemplo, injeções subcutâneas ou intramusculares administradas mensalmente ou trimestralmente). Leki Esses medicamentos bloqueiam os sinais enviados do cérebro (glândula pituitária) para os ovários. Os ovários "adormecem" e param de produzir estrogênio. Uma grande vantagem desse método é a sua reversibilidade. Quando você para de tomar a medicação, após alguns meses, os ovários voltam a funcionar e seu ciclo menstrual retorna ao normal. Essa solução é frequentemente usada antes de cirurgias eletivas (para reduzir lesões e o fluxo sanguíneo nos tecidos) ou após procedimentos para dar tempo à pelve de cicatrizar sem a pressão de sangramentos adicionais.

A segunda opção é a menopausa cirúrgica, que envolve a remoção cirúrgica de ambos os ovários (ooforectomia). Este é um procedimento radical, irreversível e definitivo. Após a ooforectomia, os níveis de estrogênio caem da noite para o dia para quase zero. Este método é geralmente recomendado para pacientes na perimenopausa cuja doença já destruiu as estruturas ovarianas, ou em casos extremamente resistentes a outras formas de tratamento e que já concluíram seus planos de gravidez.

Chegando ao limite, ou Efeitos colaterais sem rodeios

Sejamos honestos: a menopausa artificial é um choque para o corpo. Enquanto a cessação natural da função ovariana leva anos, dando ao corpo tempo para se adaptar, a menopausa induzida corta o fluxo sanguíneo de uma só vez. Os efeitos colaterais podem ser incômodos, e vale a pena estar preparado para evitar o pânico.

Os sintomas mais característicos são ondas de calor e suores noturnos. Ondas repentinas de calor que inundam o rosto, pescoço e peito podem ocorrer de várias a doze vezes por dia, interrompendo o sono impiedosamente e causando privação crônica de sono. Outro desafio sério é a esfera íntima e psicológica. A falta de estrogênio leva ao afinamento e ressecamento da mucosa vaginal, o que pode causar desconforto ou dor durante a relação sexual. A libido frequentemente cai a zero. Muitas mulheres também relatam névoa mental (problemas de concentração e memória), irritabilidade, alterações de humor e até depressão.

O efeito colateral mais perigoso, invisível a olho nu, é o impacto da deficiência de estrogênio nos sistemas esquelético e cardiovascular. Os estrogênios são um escudo protetor natural para os ossos. Quando há falta deles, os ossos começam a perder densidade, levando à osteopenia e, a longo prazo, à osteoporose e a um risco aumentado de fraturas. Portanto, leczenie Os análogos de GnRH sem proteção adicional devem durar até seis meses.

Terapia de reposição hormonal – Seu passaporte para a normalidade

Você provavelmente está se perguntando agora: "Por que eu deveria concordar com isso se os efeitos colaterais parecem tão assustadores?" É aí que a medicina moderna entra em cena com sua solução, a chamada terapia de reposição hormonal. Trata-se de uma pequena dose de hormônios (geralmente estrogênio combinado com progestógenos), precisamente ajustada, que seu médico prescreve juntamente com as injeções para induzir a menopausa.

O princípio por trás da terapia de reposição hormonal é brilhante em sua simplicidade. Seu médico administra a quantidade exata de estrogênio para aliviar as ondas de calor, proteger seus ossos e coração e prevenir o ressecamento vaginal, mantendo a dose baixa o suficiente para não desencadear a endometriose. É um equilíbrio delicado que, quando bem administrado por um especialista experiente, permite que a paciente aproveite os benefícios da supressão da doença (alívio da dor) sem sofrer os sintomas intensos da menopausa. Nunca hesite em perguntar ao seu médico sobre a terapia de reposição hormonal — é o padrão de atendimento ao qual você tem direito.

Cuide de si. Apoio integral em momentos de tranquilidade.

Farmacologia Essa é uma das faces da moeda, mas a forma como você vivencia a menopausa artificial depende muito do seu estilo de vida. Esse período exige cuidados e atenção especiais ao seu corpo. A base se torna dieta Ricas em fitoestrogênios (por exemplo, produtos à base de soja, linhaça), que imitam suavemente os efeitos do estrogênio, aliviando as ondas de calor. A ingestão adequada de cálcio e vitaminas D3 e K2 também é crucial, pois são essenciais para proteger os ossos contra a osteoporose.

Não se esqueça dos exercícios. O treinamento de resistência (com pesos ou com o próprio peso corporal) é o melhor estímulo para a regeneração óssea. Para a sua região íntima, supositórios hidratantes à base de ácido hialurônico e consultas com um fisioterapeuta uroginecológico serão de grande ajuda, assim como consultas com um fisioterapeuta especializado em uroginecologia que cuidará da circulação sanguínea e da elasticidade do assoalho pélvico. Durante esse período desafiador, procure usar tecidos respiráveis ​​e naturais para ajudar a controlar as variações de temperatura e mantenha uma boa higiene do sono. Lembre-se, a comunidade EndoMe está aqui para lhe lembrar que nenhuma terapia pode roubar sua feminilidade. Você é forte, você está consciente e a menopausa artificial é apenas um capítulo na jornada para recuperar sua saúde e bem-estar.

Fontes

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  • Skałba, P., & Dąbkowska-Huć, A. (2005). Tratamento da endometriose com análogos de gonadoliberina (GnRH) como terapia adjuvante. Menopausal Review. Um estudo científico polonês que analisa detalhadamente os mecanismos e benefícios da coadministração de análogos de GnRH e estrogênios em baixa dose com progestógenos. Os autores demonstram, na Polônia, que essa abordagem reduz eficazmente as ondas de calor e previne a osteopenia, sem comprometer o efeito do tratamento da endometriose em si.

 

Marta Pietrzak

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